Fernanda Pontes/Ancelmo Gois – O Globo – 01/07/2026
Dezenove anos após a operação policial no Complexo do Alemão que deixou 19 mortos, o advogado João Tancredo, que representou familiares de vítimas e obteve a condenação do Estado do Rio de Janeiro na Justiça, avalia que a política de segurança pública fluminense mudou pouco desde então. Para ele, apesar da troca de governos, da implantação das UPPs e da intervenção federal, a lógica do confronto armado continua predominando.
“Quase duas décadas depois, continuamos assistindo à mesma lógica”, afirma.
Realizada em junho de 2007, a operação terminou com 19 mortos e 13 feridos, entre eles uma estudante que estava na escola e uma criança. O episódio, conhecido como Chacina do Alemão — ou Chacina do Pan, por ter ocorrido às vésperas dos Jogos Pan-Americanos do Rio —, tornou-se um dos casos mais emblemáticos do debate sobre a letalidade policial no estado.
Segundo Tancredo, operações com elevado número de mortos continuam sendo apresentadas como demonstrações de força do Estado, sem que haja resultados efetivos no enfraquecimento das organizações criminosas. Na avaliação dele, a principal lição deixada pelo episódio permanece atual: “Enquanto a resposta continuar sendo apenas o confronto armado, estaremos repetindo os mesmos erros e produzindo os mesmos resultados”.
